Redundância
Estamos em ano de eleição Que merda.
Sempre me surpreendo comigo mesma quando me dou conta que mais uma eleição está aí e eu entro em paranóia. Mais um ano que vamos acreditar em uma mudança mirabolante, mesmo com a certeza da decepção no próximo ano. Eu acho o cúmulo esse ‘Estado Democrático de Direito’ que me impõe a me dirigir democraticamente às urnas de dois em dois anos. Mas tudo bem, tudo em prol do exercício da minha cidadania.
Realmente me irrita esse discurso demagógico que tentam pregar em ano de eleição. Exerça sua cidadania, vá às urnas, vote, seja consciente, não venda seu voto, bla bla bla.
Nós somos corrompidos desde que o Brasil é Brasil. Fomos corrompidos pelos colonizadores, pelos emigrantes, pelas imposições dos senhores do café, pela ditadura militar, pelo tráfico de drogas, por nossos políticos, pela mídia, etc. Sempre acreditamos no discurso futurista; No futuro, tudo será melhor. Mas o futuro ainda é futuro, de geração em geração. A alma pacífica do brasileiro na verdade é alma passiva. Somos controlados, manipulados, doutrinados a ser omissos. Como uma nação omissa e passiva pode ser considerada uma nação democrática? Seremos um país democrático quando respeitarmos os direitos fundamentais das pessoas, quando o respeito for recíproco, e não somente concedido a nós pela Constituição Brasileira.
Mas ta aí. Outro problema gigante. O respeito. Respeito tem algumas dimensões e intensidades que tendem a ser tolerantes ou não. Só que no mundo que eu vivo hoje eu não capto respeito nem de planta pra planta. Não duvido que elas tentam roubar o oxigênio da outra.
Mas to tentando falar aqui é do respeito do ser humano. Vou parar de desmoralizar o reino vegetal.
O respeito entre as pessoas está dissimulado. O respeito das autoridades em relação as pessoas está dissimulado. O respeito de pais pra filhos está dissimulado. O respeito da mídia para as casas das famílias está dissimulado.
Tudo isso em prol de uma sociedade que virou amante da podridão. Amante da vulgaridade. Amante da alienação. E está aí o ponto que realmente me dói. Ver crianças rebolando a bunda no programa vespertino de sábado, ver o Big Brother atingindo audiências que nem o Oscar ao redor do mundo atinge, ver as baixarias que passam no horário nobre da televisão transmitir uma mensagem distorcida do que é a vida.
Carnaval é sinônimo de sexo, natal e as demais datas comemorativas são sinônimos de vendas, cinema é sinônimo de Status, crítica é sinônimo de ativismo pentelho. Afinal de contas o que então vale a pena? Acabei de ver ontem o mundo caindo de pau em cima do Danilo Gentili porque ele chamou a Hebe de múmia. Essas mesmas pessoas fazem esse tipo de piada para amigos, ou pior ainda, e depois enchem a boca pra malhar o cara que dá a cara a tapa em rede nacional? Pelamordedeus, vão criar culhão pra expor opinião fora das quatro paredes da residência, pra depois sim encher a boca e apontar o dedo pra alguém pra fazer um julgamento. Mesmo que superficial, afinal, você tem a mesma conduta e pega leve.
Num país onde a fome, o analfabetismo, a violência, a corrupção, a esperteza, o jeitinho brasileiro predominam e exterminam todas as chances que as pessoas têm em viver dignamente, perder tempo fazendo manifestação pública contra uma piada é no mínimo repugnante. Enquanto vocês, nobres controladores da vida alheia, ficam sentados em suas poltronas de couro de onça pintada, seu país vem sendo afundado por uma elite mesquinha e ambiciosa. E lembre-se. Esse ano é ano de eleição. Mas concentre-se em críticas mais lights, assim você não sofre nenhuma censura. Vivemos num país livre!
Mas é assim. A crítica formulada por detrás da tela de LCD tem uma repercussão bem mais positiva. Pelo menos aos olhos dos criticados, que te ironizam mentalmente.

Como sempre, brilhante!